Os Mistérios da Serra do Roncador

Cidades misteriosas, objetos e seres perdidos nas florestas, luzes não identificadas que sobrevoam a mata e tesouros fabulosos compõem as lendas e a cultura da Serra do Roncador, no Mato Grosso.

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No estado do Mato Grosso, estão localidades que atraem a atenção de estudiosos de fenômenos ufológicos e paranormais de muitas partes do mundo, mais especificamente a Chapada dos Guimarães e Barra do Garças.

Intrigantes e inusitadas narrativas envolvem a região, estimulando a imaginação dos moradores e a curiosidade dos estudiosos. Arqueólogos são atraídos pelas pistas de civilizações perdidas, ufólogos vão ao local em busca da abundância de relatos, fotos e filmagens de OVNIs, e aventureiros em geral buscam mistérios ainda ocultos.

Cidades misteriosas, objetos e seres perdidos nas florestas, luzes não identificadas que sobrevoam a mata e tesouros fabulosos são componentes de lendas que aguçaram a imaginação e a cultura dos habitantes do local. Tanto a Chapada dos Guimarães quanto Barra do Garças têm como tradição e rotina, em todas as épocas do ano, inúmeras referências a objetos voadores não identificados, civilizações intraterrestres e passagens subterrâneas que ligariam o Brasil a Machu Picchu, no Peru.

 

Lá se fala muito em Templo de Ibez, Agartha, o Caminho de Ló, Shamballah e o Portal de Aquário. Muitas vezes as histórias vêm acompanhadas de descrições de vulcões extintos, fósseis de dinossauros e sinais luminosos em cavernas da região, mais especificamente na Serra do Roncador, que é, com certeza, uma das áreas mais encantadoras da região central do Brasil, com grandes belezas naturais ainda pouco exploradas pelo homem.

Exploradores com objetivos diversos adentram em suas matas para, muitas vezes, nunca mais regressarem sem deixar quaisquer vestígios, apenas histórias, lendas e mitos.

Serra do Roncador, no Mato Grosso.

Como consequência, criaram-se ao longo dos séculos, relatos de civilizações ocultas na região, lendas sobre o destino dos aventureiros desaparecidos e supostos portais dimensionais que levariam a outras civilizações.

Tudo isso teria, para os moradores, íntima relação com o Fenômeno OVNI. Entre a certeza de alguns e a desconfiança de outros, muitas hipóteses e crenças convivem harmoniosamente no imaginário popular, em meio aos cenários de vegetação do cerrado, cachoeiras e trilhas íngremes.

As estranhas narrativas estimulam o interesse de cientistas de todo o Brasil e do mundo, que se deslocam até Barra do Garças com o intuito de descobrir algum fato plausível em meio a tantas histórias fantásticas.

A serra recebeu o nome de Roncador devido ao fato que, em determinados momentos, emana de suas entranhas um som típico e semelhante a um ronco forte, que ecoa pelo cerrado provocando arrepios e medo nos visitantes. Tal ronco ocorre em virtude do encontro dos fortes ventos da região com os imensos paredões maciços verticais.

Ainda assim, não é raro encontrar pessoas que digam que o sinistro som teria origem em manobras de OVNIs voando pela região.

O clima de mistério do local já foi descrito nos registros da famosa expedição do explorador inglês Percy Harrison Fawcett, um coronel da Artilharia Britânica Real, que foi para Barra do Garças em meados de 1919, em uma incansável procura por aquilo que ele estava convicto existir na região, vestígios de uma civilização intraterrestre perdida.

Coronel Percy Fawcett.

O objetivo de Fawcett era estabelecer contato com tal civilização, que seria composta por supostos descendentes dos Atlantes. Há registros manuscritos da referida expedição, hoje pertencentes à coleção de documentos da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

O explorador veio para o Brasil, embrenhou-se nas matas da Bahia e, seguindo pistas e vestígios, tentou desbravar o Mato Grosso, onde suas descobertas o levaram até a Serra do Roncador.

O explorador inglês acabou sumindo misteriosamente em 1925 e dele nada mais se soube.

Fawcett era mundialmente admirado por ter levado uma vida inteira dedicada às mais delirantes aventuras na Ásia e América do Sul. Após o seu desaparecimento, tornou-se conhecido e retratado em algumas das mais notórias lendas mundiais, que inspiraram escritores como Arthur Conan Doyle, em O Mundo Perdido e Henry Rider Haggard em As Minas do Rei Salomão e, também, para Steven Spielberg, na criação do personagem Indiana Jones.

Porém, as aventuras do coronel inglês não serviram apenas como inspiração para escritores e cineastas. Elas motivaram dezenas de outros expedicionários nas décadas seguintes, curiosos tentando desvendar os mistérios do Roncador.

Alguns deles eram movidos por puro espírito de aventura, outros objetivavam conquistar o prêmio que o jornal inglês The Times, até hoje, oferece a quem prestar informações detalhadas e confiáveis sobre o que realmente aconteceu com o explorador inglês.

O que se sabe é que muitas expedições ocorreram, mas nenhuma obteve sucesso em encontrar a cidade perdida e, embora existam dúvidas da existência da civilização subterrânea, já se conhece até a sua denominação: Manoa.

Manoa custou a vida de inúmeros exploradores, que morreram por picadas de cobra ou pelas mãos de índios, capazes de torturar lenta e dolorosamente aqueles que ousassem penetrar em suas terras, proibidas aos homens brancos.

Uma curiosa narrativa, catalogada sob o número 512 na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, inclui uma carta enviada pelos bandeirantes ao vice-rei, no ano de 1754, descrevendo minuciosamente a descoberta, no ano anterior, de uma cidade em ruínas na região.

Pinturas rupestres que retratam a vida dos que habitaram o local e são datadas de milhares de anos.

O documento explica detalhes sobre sinais indecifráveis nas rochas, uma grande estátua de pedra negra, enormes arcos construídos, edifícios de pedra intactos e desmoronados e até sinais de possíveis riquezas para mineração, tudo isso fortemente guardado por perigosos índios de pele clara, que não aceitavam contato com estrangeiros.

Essas características foram alguns dos estímulos que atraíram a atenção do coronel Fawcett na busca da cidade perdida e ele também possuía uma estatueta de pedra coberta de enigmáticas inscrições, que acreditava ser oriunda de Manoa.

Ao examinar este documento dos bandeirantes, Fawcett surpreendeu-se ao encontrar, entre os símbolos desenhados, alguns idênticos aos de sua estatueta. Após tal prova, o coronel não teve mais dúvidas e partiu rumo a algum inóspito ponto do Mato Grosso, adentrando pela Serra do Roncador, para nunca mais voltar.

A Entrada da Morada dos Deuses

Lenda ou não, ainda hoje, os mistérios do lugar são guardados a sete chaves pelos índios xavantes que vivem na região e lá possuem vários lugares sagrados, que não podem ser visitados pelo homem branco sem que estejam em sua presença.

Dentre esses locais há uma caverna na qual os índios só entram até a primeira galeria e não se arriscam a avançar mais do que isso, pois temem o que pode haver no subterrâneo. Segundo eles, nas profundezas do local viveriam seres estranhos, e quem se arrisca a entrar lá não retorna mais.

Outro lugar sagrado para os xavantes é a Lagoa Encantada, um lago com total ausência de vida sob as águas. Alguns índios nadam no local, mas não se aventuram a mergulhar muito fundo, pois têm medo de serem sugados por alguma força invisível e não voltarem mais. Segundo os anciões das aldeias da região, a lagoa seria a “entrada da morada dos deuses, onde luzes mergulham e depois saem da água em direção às estrelas”.

A Ponte de Pedra, localizada em um privilegiado ponto da região, onde se pode ter uma deslumbrante visão do completo rochoso que abriga a Serra do Roncador.

No município de Barra do Garças, considerado a porta de entrada para a Serra do Roncador, é comum ouvir dos índios relatos de contatos com criaturas não humanas ou extraterrestres, que eles chamam de “seres das estrelas”.

Roncador se inicia nos limites do Parque Estadual da Serra Azul, uma área de 11 milhões de hectares destinada à preservação do cerrado. Lá fala-se muito de outra comunidade indígena desconhecida, que guardaria ferozmente os mistérios da cadeia de montanhas, os chamados “índios morcegos”.

Sobre eles há um interessante trecho de uma antiga carta escrita pelo explorador e naturalista norte-americano Carl Huni:

“A entrada da caverna é guardada pelos índios morcegos, que são de pele escura e pequeno porte, mas têm grande força física. Seu olfato é mais desenvolvido do que o dos melhores cães de caça. Mesmo que eles aprovem e deixem entrar nas cavernas, receio que quem o fizer estará perdido para o mundo presente, porque guardam um segredo muito cuidadosamente e não permitem que aqueles que entrem possam sair”.

Huni parece ter se informado e pesquisado bastante essa curiosa etnia. Em sua obra ainda consta:

“Sei que uma boa parte dos imigrantes que ajudaram na revolta do general Isidoro Dias Lopes, em 1924, desapareceu nestas montanhas e nunca mais foi vista. Foi sob o governo do doutor Bernardes, que bombardeou São Paulo durante quatro semanas. Finalmente fizeram uma trégua de três dias e permitiram que quatro mil praças, principalmente alemães e húngaros, saíssem da cidade. Cerca de três mil deles foram para o Acre, no noroeste do Brasil, e cerca de mil desapareceram nas cavernas. Ouvi a história muitas vezes. Se me lembro bem do local onde desapareceram, foi na extremidade sul da Ilha do Bananal, perto das Montanhas do Roncador”.

O naturalista descreveu que os índios morcegos viveriam em cavernas e sairiam apenas à noite para a floresta vizinha, mas sem manter contato com os chamados “moradores de baixo”. Para eles, segundo relatou o explorador, esses moradores habitavam uma cidade subterrânea, na qual formariam uma comunidade autossuficiente e com uma considerável população.

Pinturas rupestres nas cavernas da Serra do Roncador.

“Acredita-se que os habitantes das cidades subterrâneas brasileiras sejam descendentes dos Atlantes, seus construtores, mas não se pode saber com certeza. O nome da cadeia montanhosa onde estão tais cidades é Roncador, no Mato Grosso. Quem vai procurar tais cavernas põe a sua vida nas próprias mãos. Quando estive no Brasil, ouvi falar muito delas, mas desisti de pesquisá-las porque ouvi que as entradas dos túneis estavam fortemente guardadas e vigiadas pelos índios morcegos”, dizia em seu diário de viagens o explorador norte-americano Carl Huni.

Uma dessas grutas habitadas pelos membros de tal etnia ficaria perto do Rio das Mortes, e está indicada no livro de Leo Doctlan, Minha Vida com uma Vestal, como a entrada para a cidade subterrânea, para onde uma adolescente foi levada. Depois de submetida a um suposto processo de alteração molecular e de registros mentais, que chamaram de abdução, foi revelado a ela que sua missão terminaria com a formação de sete discípulos e que, após isso, poderia voltar e viver junto com eles.

Essa intrigante história, assim como tudo o que diz respeito aos índios morcegos e sua notável sabedoria, ainda está para ser confirmada. Parte delas é compartilhada por índios bororos, não diferentes dos xavantes em se tratando de relatos de fatos estranhos e ufológicos. Estes são os primeiros que teriam dominado, por séculos, toda a vasta extensão do município de Barra do Garças, na divisa do Mato Grosso com Goiás.

Os xavantes e bororos têm, em sua rica mitologia, lendas relacionadas a seres semelhantes aos humanos, mas com seis dedos nas mãos, que teriam vivido na região. Algumas dessas lendas falam ainda que tais seres viveriam juntamente com outras estranhas criaturas parecidas com gente, só que de três e quatro dedos.

Existem cavernas na região, especialmente entre a Serra Azul e a Serra do Roncador, nas quais se podem encontrar marcas de pegadas petrificadas de pés de seis, quatro e três dedos, mas nenhum registro de pés com cinco dedos e uma delas é conhecida, justamente por isso, como Caverna dos Pezinhos.

A Caverna dos Pezinhos.

O Parque Estadual da Serra Azul, quase ao lado da Serra do Roncador, possui inúmeras trilhas, cachoeiras, diversos sítios arqueológicos e paleontológicos e um mirante com uma estátua do Cristo Redentor, em um ponto privilegiado de onde é possível apreciar as três cidades vizinhas, Barra do Garças, Aragarças e Pontal do Araguaia.

No mesmo parque está uma obra curiosa, um aeroporto para discos voadores, o famoso discoporto de Barra do Garças, onde as pessoas podem tirar fotos em painéis, como se estivessem em naves espaciais. A obra é projeto do ex-prefeito do município, Valdo Varjão, falecido há poucos anos e, para ela, foram reservadas cinco hectares que funcionam como um atrativo turístico.

“Eu queria colocar Barra na mídia, pois a cidade tinha pouca divulgação e exploração turística. Como esta região sempre teve histórias de OVNIs e um misticismo muito forte, aproveitei a ideia”, explicou Varjão.

Mas, enquanto nenhum veículo extraterrestre chega à cidade, a nave em formato de um disco voador, feita com chapas de aço, é a diversão das crianças, que podem entrar no aparelho e tirar fotos.

Convidado a participar de inúmeros programas de TV, Varjão chamou a atenção da imprensa de todo o país e do exterior ao mostrar a rica casuística que envolve toda a região.

Barra do Garças ficou internacionalmente conhecida pela original ideia de abrigar um aeroporto para discos voadores, que tempos depois seria imitada por outros prefeitos.

Pinturas rupestres nas cavernas da Serra do Roncador.

Embora ressentido com as gozações que enfrentou, Varjão alcançou seu objetivo. “A ideia não era exatamente atrair discos voadores para Barra do Garças, mas sim, turistas, e assim usar o potencial que a cidade tem nessa área”, ressaltou o ex-prefeito.

É interessante ressaltar que no centro da cidade, ao lado do Disconauta Palace Hotel, um aconchegante estabelecimento que recebe turistas o ano inteiro, encontra-se ainda uma enorme pedra em formato discoide e com estranhas inscrições, algo polido primitivamente e que impressiona por sua semelhança a um disco voador. A pedra foi propositalmente colocada lá há algum tempo e encanta a toda a população, visitantes, pesquisadores e curiosos.

Fato ou imaginação, são poucos os moradores que não têm uma boa história para contar sobre luzes que brilham e se movimentam em meio à escuridão dos céus da cidade e seus morros.

Uma delas aconteceu entre a Chapada dos Guimarães e a Serra do Roncador, na Serra Azul, em uma área localizada dentro do município de Nova Brasilândia.

Em 1º de junho de 1997, uma bola de fogo veio do espaço e espatifou-se no solo, emitindo um enorme estrondo que foi ouvido a mais de 150 km. Sua iluminação era tamanha que a noite virou dia por pelo menos um minuto. Incrivelmente, a partir daquele dia, a cidade passou a atrair uma repentina fama, tendo a imprensa invadido o município em busca de maiores informações sobre o fato.

Infelizmente, as intensas buscas realizadas pela equipe de investigadores de campo da Associação Matogrossense de Pesquisas Ufológicas e Psíquicas e integrantes de vários veículos de comunicação, tanto por ar como por terra, resultaram infrutíferas.

O que restou foi mais um mistério para a longa lista de enigmas que Mato Grosso já acumula.